Um vestido vazio conduz um tango, rompendo a gravata do parceiro enquanto os joelhos dele cedem.
Abertura — a parceira não precisou pisar no pé.

Há uma fêmea
que nos rompe laços
torna o peito vil
as pernas bambeiam
Haja coragem para encará-la

À margem

os joelhos assinam antes do resto.

Há outra fêmea
Que nos energiza e põe
todo o tutano carimbado
roto
eclipsado e firme
E nos torna o ego voraz
Como se fosse o maior do mundo
maior que nosso mundo
maior que o mundo dos outros

À margem
Rabisco de fêmur aberto recebendo carimbos de pequenos globos no tutano; o último cresce e fica preso.
À margem

o planeta pediu redução de escala.

Haja resiliência
para superar a Fêmea Derrota
Haja tranquilidade
Para ser humilde quanto à
Fêmea Vitória

À margem

os crachás chegaram no meio do expediente.

Ambas são falsas
e nos tornam piores do que realmente somos
quando não sabemos lidar com elas
e são também ambas
trilhas e estradas da nossa evolução

À margem

o espelho exagera nos dois sentidos.

A criança se torna adulta
quando é capaz de aprender com a Derrota
e quando é capaz de ser humilde na Vitória
Mas não se deixe enganar por elas
é preciso se tornar adulto
todos os dias

À margem

maioridade: validade de vinte e quatro horas.

Um adulto tenta recuperar a marca de altura que cai da parede, apoiado sobre uma medalha amassada e uma taça de louros.
Fecho — a maioridade não guardou a marca de ontem.