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330 textos. Poemas, crônicas, ensaios e outros escritos.
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ExplícitosEles falam do universo, de filosofia, de política — qualquer assunto serve, desde que permita chegar um pouco mais perto.Que caralhos mordeu o Putin?Uma guerra começa como fofoca de boteco: dinossauros, gás, Olimpíadas, um vizinho impossível e uma madrugada que muda enquanto é escrita.Guia de Como Não ser um BabacaAbra uma cerveja: cavalheirismo, sexo, ciúme, terapia, ponto G e um Antonio de 2021 sem nenhuma vontade de falar baixo.Amigo LupinoUm cachorro destrói o sofá, come o tênis, morde o controle — e ainda convence o dono de que a casa é dele.Faces do meu DominóUm príncipe, um lobo, um ator, um poeta e um otário entram no mesmo corpo. Nenhum deles parece disposto a pagar a conta sozinho.SereiaUm Chevette ferve no meio do nada; Jorge procura gasolina, o narrador tenta sobreviver ao calor e uma desconhecida oferece algo fora do roteiro.Verso PóstumoPouco antes de ser entubado, alguém decide escrever uma carta que talvez só seja lida se ele não acordar.DespidaEla se despe. Ele promete uma sinfonia com língua, boca e dedos. A vizinhança vai descobrir que certos instrumentos dispensam afinação.AbismoHá noites em que o frio não vem da janela. Ele atravessa veias, ausências e um poeta que já não sabe onde termina o quarto e começa o abismo.Por uma RosaNum campo cheio de rosas, é a menor que segura o olhar. Entre delicadeza, cicatrizes e um flerte com o imaginário grego, aproximar-se dela deixa de ser um gesto simples.Par Ti AmoCacos, mãos sujas e uma dor que se recusa a sarar: alguém procura um método impossível de conserto.XafarizUma cantiga infantil descarrila entre rima, palavrão e um fiscal de dicionário. As palavras começam a entortar antes que alguém consiga pôr ordem na página.Riposare in PaceUm amigo ficou no fundo do próprio buraco. Entre música, vício e uma moeda gasta, quem permanece tenta entender quanto de si também foi perdido.Versos Puídos de Duplo SentidoRogério perde uma goiaba no ponto de ônibus. A partir daí, guarda, comando, voto, corpo e país trocam de sentido enquanto as palavras tentam permanecer em formação.Duas FêmeasDuas presenças chegam por caminhos opostos: uma desfaz laços e amolece as pernas; a outra carimba o corpo e faz o ego crescer além do mundo.As GêmeasUma noite de pedra reúne duas irmãs opostas: uma exige fidelidade; a outra oferece invenção, prazer e perigo. No meio delas, alguém procura um acordo que não seja absoluto.FaltanteA peça existe, mas o encaixe não. Enquanto o amor tenta completar o desenho, o corpo experimenta ser aço, vapor e água — e cada estado abre uma pergunta que o próximo não fecha.Um Garoto de Aberdeen - #11 - MontesanoCom as malas no carro e o som no máximo, Kurt deixa Aberdeen com o pai. Em Montesano, um trailer, uma nova escola e sete voltas de montanha-russa cabem no mesmo dia.Crônica dos BurrosO bonde elétrico passa com ares de futuro. No último carro de tração animal, dois burros começam a conversar — e parecem compreender o progresso melhor que os homens.Um Garoto de Aberdeen #10 - PesadeloKurt desperta com uma pergunta que ninguém naquela casa consegue responder. Ao descer as escadas, percebe que certos pesadelos não precisam dormir.Um Garoto de Aberdeen #9 - PedrasKurt joga pedras no lago enquanto cerveja, música e silêncio tentam manter o mundo simples. Do outro lado da água, duas garotas aparecem — e o que ele evita pensar volta a quicar.PenicilinaUma voz percorre da infância à aposentadoria por uma cadeia de remédios, tratamentos, parcelas e ordens. No caminho, o roteiro de uma vida inteira começa a fazer contas que não fecham.Um Garoto de Aberdeen #8 - Baquetas QuebradasA bateria atravessa a madrugada, os vizinhos batem à porta e uma mãe precisa alcançar o quarto do filho. Do outro lado da fresta, o barulho encobre algo que ela ainda tenta esconder.Um Garoto de Aberdeen #7 - ParanoiaAo voltar para casa, Kurt encontra um desconhecido no sofá e sai pela janela com uma garrafa que não sabe beber. Entre ruas, parque e uma música repetida na cabeça, a raiva procura um lugar para pousar.A Arte de Colar em ProvasHá quem estude a matéria. Há quem estude a sala, o professor, o ângulo da cadeira e até o reflexo dos óculos. Este manual de 2010 transforma uma prova numa operação de espionagem escolar.Um garoto de Aberdeen #6 - CigarrosKurt sai de uma tabacaria com um maço roubado e nenhum isqueiro. Entre o bueiro, uma lata cheia de pedras e nuvens que voltam a tomar forma, a raiva pelos pais encontra uma companhia que ele não pediu.Um Garoto de Aberdeen #5 - Dias RuinsTrês malas cruzam a porta e Kurt fica com uma fotografia no bolso. Pela cidade e depois no parque, ele tenta transformar a separação dos pais em fumaça, música e silêncio.O Cavaleiro AndanteDiante de três gigantes que riem, um cavaleiro mede a própria glória e avança com a lança. O escudeiro vê moinhos; ele vê a chance de finalmente estar certo.Um Garoto de Aberdeen #4 - Presente de AniversárioAos oito anos, Kurt mede o aniversário pelos presentes: bolinhas de gude, camisa, bateria e um disco aguardado. A festa vira palco, mas o volume da casa não depende só da música.Um Garoto de Aberdeen #3 - BoddahUm par de cadarços desamarrados aparece no quarto de Kurt, e Boddah chega com histórias de parque, lago e tempo perdido. Antes do almoço esfriar, os dois tentam compor uma canção capaz de deixá-los ricos.A TorturaEla está suspensa, nua e imóvel quando as botas entram no quarto. O chicote deveria decidir quem domina a cena; a cada golpe, porém, o corpo começa a negociar outra resposta.Um Garoto de Aberdeen #2 - Mickey & LennonKurt mata aula com os sapatos desamarrados e volta para casa carregando desenhos perfeitos demais para um garoto. Entre música, papel e suspeita, a tarde começa a desafinar.Um Garoto de Aberdeen #1 - Pega-pegaKurt e Kim transformam a floresta num pega-pega de galhos, esconderijos e provocações. Enquanto uma canção insiste na cabeça dele, manter a irmã por perto vira parte do jogo.O Hedonista EdiondoUma faca cega atravessa o peito sem encontrar sangue, e uma voz tenta decidir se a ferida veio da fraqueza, da crueldade ou do mundo ao redor. Enquanto a água procura o mar, a culpa procura um nome.A PragaUm turista separado dos amigos se perde num castelo-museu escocês, entre animais empalhados e uma estátua de morcego que engole o último raio de sol. Quando ele reencontra o grupo, uma discussão banal parece carregar séculos de violência.Leiloei o País de BananasUma voz que nega gravidade, ciência e qualquer ideia alheia transforma privilégios, slogans e certezas em doutrina particular. O país inteiro cabe no palanque — e talvez já esteja sendo oferecido como lote.Confesso que Estou DoenteEntre festas organizadas, acusações, ataques de pânico e planos interrompidos, um presidente de diretório tenta explicar por que já não consegue permanecer onde construiu sua vida universitária.Annabel LeeNum reino à beira-mar, duas crianças descobrem um amor que parece maior que o próprio amor. Céu, vento e oceano cercam esse vínculo, mas a voz insiste em medi-lo por outra escala.Declaração ApaixonadaUma voz chega da escuridão e encontra em outra pessoa uma fonte de luz. Casa, floresta, praia, montanhas e oceanos entram então numa promessa que tenta fazer o mundo inteiro caber numa vida a dois.Leoa VoaUma leoa ruiva cabe em taças, viagens, pratos de fim de tarde e pequenos hábitos. A ode acompanha sardas, grunhidos matinais e um sorriso capaz de desmontar quem observa.Nasce o Sol, termina o DiaEntre o nascer do sol e o cansaço do fim do dia, uma voz carrega o mundo como Atlas e o fogo como Prometeu. Culpa, perdão e sobrevivência disputam espaço enquanto novas decisões se aproximam.RoucoUma voz atravessa a madrugada diante do oceano, gritando contra o mar, o céu e tudo que existe. Entre ondas, estrelas ausentes e ecos distantes, ela tenta descobrir se há outra voz no vazio.Pesadelo ObsessivoUm sonho acordado repete o mesmo confronto diante de um público imóvel. A cada volta, a voz procura uma saída entre raiva, exaustão e a sensação de estar presa num palco que não muda.NetflixUm programa qualquer perde a disputa para dedos unidos e corpos que adormecem. Ao acordar antes da garota de sardas, a voz começa a organizar a manhã sem fazer barulho.LítioAnis, gin e batimentos acelerados lançam a voz numa corrida entre motores, foguetes e mitologia. A energia sobe de temperatura até transformar desejo, trabalho e movimento numa única combustão.La TraviataEntre um cubo impossível e uma folha ao vento, uma voz experimenta tamanhos, crenças, desejos e identidades. Cada contraste abre outra possibilidade antes que qualquer definição consiga se fechar.WerewolfSob chuva gelada, um homem mede a distância entre a voz racional e a fera que desperta nas noites de lua. A jaula promete contenção, mas também transforma o controle numa violência contra si.PlataformaUma locomotiva a carvão arranca entre apitos, chapéus, soldados e lenços brancos. Da janela em movimento, quem parte tenta sustentar o olhar de quem fica.
















































