Uma luva de trabalho marcada equilibra uma colher minúscula diante de uma rosa sentada à mesa com duas xícaras.
Abertura — a mão bruta pediu a menor colher.

De todas as rosas

Que encontrei no campo

Uma em particular

Me chamou a atenção

Era uma pequena rosa

Delicada e menor

Que as demais

Sorria pra mim

Com olhos grandes e inocência

Parecia frágil, sensível

Não a colhi, porque era eu

À margem

a mão para antes do caule.

Bruto demais

Perante uma rosa tão delicada

Mas o amor que sinto

Em apreciá-la

Conversar com a rosa

A rosa conversar comigo

À margem

a rosa também pediu a palavra.

Já me enche o peito de amor

Já me enche a paixão

O odor

A sensação de estar

Ainda vivo afinal

Para no campo de rosas flertar

Com o imaginário grego

À margem

desvio sinalizado: Grécia.

O poeta, o louco

O quê de mim que poderia ser mais

À margem
Rabisco de tesoura de poda cujo corte vira pena de escrever e contorna uma rosa sem alcançá-la.

Não tivesse tanta cicatriz assim

Deus, mas aquela rosa

Que bela rosa

Do campo do jardim

Posso escrever os versos

Mais afoficados

À margem

afoficados: manter. a palavra já veio assim.

Que não serão dignos

De roseira mais livre, leve

Sapeca e sentimental

Poema a uma rosa inocente

Uma máquina de escrever produz uma folha rendada enquanto uma rosa atravessa o rolo e cresce em direção ao campo.
Fecho — os versos saíram afoficados; a rosa ficou livre.