Num jarro, uma rosa parece perfeita enquanto perde raízes e tempo. Na selva, outra cresce cercada de espinhos — e a comparação começa a reunir beleza, força e perigo no mesmo caule.
Por Antonio Fernandes1 min de leituraPortuguês
Leitura
Abertura — a folha ficou no arquivo; as nervuras aprenderam a sustentar o peso.
Uma rosa num jarro Pode parecer delicada e bela mas está sofrendo podada de suas raízes alimentada apenas por água serve apenas ao deleite dos olhos dos outros logo ela irá murchar e morrer
Uma rosa na selva tem espinhos grossos cresce, multiplica-se vira uma roseira de milhões de rosas coitados daqueles que ousarem lhes atravessar hão de sangrar violentamente suas raízes vão fundo e fortes são belas orgulhosas temperamentais decididas por subir até o topo da copa e brilhar não são mais uma roseira são a natureza inteira
um dia feliz a todas vocês, rosas e traço esta ode aos seus espinhos para que sejam mais fortes e machuquem mais para que mãos de homens não ousem lhes arrancar
amo vocês
Fecho — a mão chegou perto; o desenho da grade ganhou mais uma linha.