As penitenciárias brasileiras conservam-se lotadas de detentos indiciados por porte de poucas quantidades da droga, muitos deles nem julgados foram ainda. À medida que o cerco ao usuário cresce, uma polícia mal formada e induzida a produzir números agride-os indo contra os direitos humanos e do cidadão. Ao mesmo tempo a cannabis se torna cada vez mais cultural em meio à juventude universitária e até mais jovem, criando um fatal paradoxo inversamente proporcional: Quanto mais se oprime, mais se consome. Punir é a melhor solução?
Um estudo produzido pela Universidade de Bristol, uma conceituada universidade britânica, nem mesmo chega a citar a cannabis sativa como uma droga perigosa. O mesmo acontece em estudos conduzidos pelas universidades de Cambridge (UK), Syracuse (US) e Sorbonne (FR). Apenas em Oxford ela chega a ser citada na 74ª posição, estando atrás de substâncias como café, tabaco, remédios antidepressivos e álcool. Ao contrário do que dizem algumas crendices populares, não existem danos reais ao córtex entorrinal (parte do cérebro responsável pela memória) e nem relativas incidências de câncer em usuários comuns (que consomem menos de 10 g por semana) pelo fato de não ser carbono suficiente para afetar o pulmão, mesmo a longo prazo. Os mesmos estudos também indicam que os índices de vício da maconha se encontram atrelados aos do chocolate ou doces em geral, já que só viciam aquelas pessoas que tiverem problemas mentais substanciais, sendo relativamente fácil desvincular do vício mesmo usuários com frequência de uso altíssima.
A maconha nem mesmo chega a ser realmente perigosa, já que seus principais efeitos são o riso fácil, a hiperestimulação dos sentidos e o sono. Sua proibição vem principalmente das políticas conservadoras americanas da década de 20, que ao se espalhar pelo mundo, cria uma onda de proibições que persiste até hoje. É fácil se atrelar ao modo conservador e julgar situações sem as entendermos bem. Difícil mesmo é ficarmos abertos a novas percepções de mundo, crescimento e novos horizontes. Já passou da hora dela ser legalizada. Não para que se incentive o uso, mas para que se possa criar um mundo cada vez mais consciente e livre, onde todos respeitem o direito do outro de ser como bem entenderem.
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Opinião & política · 2012
Legalização da Maconha
Uma cela lotada, quatro universidades e uma xícara de café entram na mesma discussão. Em um argumento de 2012, o texto mede o peso da proibição por um paradoxo: quanto mais o cerco fecha, mais a fumaça atravessa.
