
No romance do grande Lewis Carroll há uma vastidão infindável de boas metáforas. Uma delas em especial é pragmática com o panorama político atual. Quem não vai se lembrar da figura peculiar em berros estridentes pelos corredores de seu palácio?
"Arranquem as Cabeças!" - já dizia ela
E cabeças rolavam. De certa forma, temos um Rei de Copas nos últimos tempos. Em Curitiba, cabeças têm rolado. Incontáveis empresários e políticos fogem e se escondem do nosso icônico Rei de Copas. Moro martela e há prisões preventivas. Martela e há prisões definitivas.
Breve a Papuda terá problemas com superlotação.
São operações quase que diárias que me canso de ouvir todos os dias na rádio pela manhã. "Hoje é o marqueteiro do PT!", dizem os jornalistas. "Hoje é o Ministro da Presidente!", gritam os noticiários.
E as cabeças rolam.
Mas há uma cabeça em especial sobre a qual há grande expectativa. Todos os dias lemos notícias, ligamos as rádios e nos preparamos para ouvir falar dessa cabeça. Grandes especulações de quem nunca especulou são traçadas. Conversas cruzadas por todo o país.
Muitos negavam: "Não, mas ele tem muito poder. Não é possível." Outros otimizavam: "Agora só falta ele!" e uns últimos, em dúvida: "Não sei se existem forças para tanto."
Se sim, se não, se talvez, a juíza de São Paulo para quem os autos foram encaminhados declinou competência e os remeteu em precatória ao Rei de Copas.
A torcida aguarda e torce. Mais otimistas e menos pessimistas estão na praça. O Coelho Branco tenta fugir da degola buscando instâncias superiores, mas a velha frase do Coelho Branco se faz presente. Tarde.
Sim. O governo petista desgovernado acertou um belo iceberg e não há quem não aposte que afunde. Enquanto as cabeças rolam, o barco afunda. O Coelho Branco foge desgovernado para se proteger num Ministério.
Nós, leitores de Carroll, espectadores, aguardamos o desenrolar da trama.
E Alice conseguirá se salvar?
Há problemas no País das Maravilhas.
E rufem os tambores.

