Geffenia, o Topo do mundo
A brisa soprava leve naquela manhã, um falcão planou no céu ao longe, as árvores balançavam ao som do vento, era um belo verão, o sol nascia nas montanhas distantes do leste, a muralha reluzente da grande cidade Élfica brilhava com potência sem igual, Geffenia era seu nome, a cidade das torres mais altas, das ruas mais limpas, da raça mais nobre, construída com alicerces de ouro, paredes de prata, as ruas reluziam embriagadas de safiras, esmeraldas, entre outras preciosidades. Porém, aquela cidade estava em silêncio.
No alto da muralha, estava um elfo. Como todos de sua raça, possuía metro e noventa, seus cabelos loiros e longos amarrados decaíam pelas costas, e amassados pelo elmo, já estavam suados. Sua face era bela, como de todos de sua espécie, belos olhos azuis tinha, olhos de águia, profundos, serenos, e naquela manhã de verão, carregados de medo.
Em sua mão, uma bela vara de Yggdrasil, a árvore da vida, estava encordada, e com sua curvatura perfeita, era mortal. Um arco. A aljave de flechas balançava junto ao vento em suas costas, com belas penas de Grandpeco, as setas mediam cerca de um metro, pontas que perfuravam aço, nas mãos de um elfo, acertavam uma maçã a mais de um quilômetro de distância.
Aquela criatura magnífica trajada para a guerra, vestia uma cota de malha, botas, boas luvas de couro de lobo do deserto, uma espada balançava em sua cintura, roçando na pedra, quebrando o som do silêncio.
O elfo olhava pela fresta da muralha, com medo, para o horizonte, não só ele, mas toda sua cidade...
Acima das muralhas, milhares de Elfos empunhavam seus arcos. Escolhiam as melhores setas para fazer os estragos iniciais, no portão, os batalhões da infantaria se juntavam, afiavam o gume de suas espadas, machados, lanças, adagas, e diversas outras armas, pois naquele dia, eles iriam ter trabalho. Muito trabalho.
Do alto da torre de Gueffenia, no centro da cidade que fazia inveja em deuses, um elfo, Zacron, o Justo, olhava com aflição para seus iguais abaixo, ele sabia que aquele era o fim de sua raça, a guerra que separaria a primeira da segunda era, a maior batalha de seu tempo, e no fundo, ele sabia que iriam perder.
E então ele viu, do alto das colinas distantes, as primeiras bandeiras, com os primeiros soldados, montados em belos Pecos, marchando, rumo a sua cidade, sua nação, sua casa, e ele, Zacron, o Rei dos elfos, a raça mais poderosa do mundo, nada poderia fazer...
Oitocentos mil humanos marchavam para o que, muitos sábios diziam, ser suicídio, eles esperavam matar a raça mais poderosa do mundo, vinham marchando com medo, medo de cada uma das setas daquelas criaturas de orelhas pontudas, medo de cada gume de espada daqueles aos quais haviam tratado como irmãos, medo, do futuro.
E do alto de sua torre, no topo do mundo, Zacron suspirou.
Os deuses rolaram os dados...
Que a guerra comece...
Por Antonio Fernandes
