Por Antonio Fernandes

Diversas vezes, nos meus muitos anos de militância ateia pela internet, me deparei com um argumento que por vezes me chamou a atenção. Quando um crente inocente diz: "Vocês são ateus, não são? Se não acreditam em Deus, por que perdem tempo se preocupando com ele? Se eu não acredito em Papai Noel, não passo meus dias tentando provar às criancinhas que ele não existe." Bom, o argumento sempre refutado pela comunidade ateia é aquele de sempre: "Ninguém explode bombas em nome do Papai Noel, ninguém nunca torturou ninguém por não acreditar em Papai Noel, e afins" (apesar de que muuuuuuuuuuita gente lucra em cima do Papai Noel, ashuashsuahs). Quer saber? Nunca gostei do Papai Noel. A mídia sempre vende aquela ideia de que "se você for perfeito durante todo o ano, vai ganhar um presentinho no final." Bom, minhas sinceras desculpas aos formandos em publicidade, mas nem eu, nem vocês, nem ninguém é perfeito, a ponto de ser perfeito durante todo o ano. E subornar as pessoas para serem bonzinhas, a ponto de um garotinho dizer: "Só não vou jogar querosene nesse rato ou matar esse cachorro a pauladas, para ganhar um presentinho em dezembro", é forçar bastante a barra da capacidade humana de discernir certo e errado. Na verdade, acho que a religião também se resume a isso, não? Você se comporta a vida inteira bem, para ganhar um "presentinho no final": sua vida eterna... haha, cristianismo no fim se resume apenas a capitalismo mesmo, né? Cada um lutando para receber o seu "presentinho". Bom, assim como as criancinhas crescem e descobrem que Papai Noel era uma farsa, talvez já tenha passado da hora de vocês crescerem e repensarem sobre seu Deus, não? No fim, assim como o mito do Papai Noel se resume a um golpe de marketing para empresas de brinquedo superfaturarem no Natal, sua religião também é um golpe para bispos e pastores superfaturarem com suas fraquezas. Talvez já tenha chegado a hora de crescer. Pense nisso.

Ideia para o post tirada do "Um Ateu de Mau Humor", do vídeo Eu não gosto de papai noel, apesar de o texto ser meu.