Uma folha sanfonada perde as pregas e se torna um prisma de vidro transparente; uma pequena mancha laranja marca a ponta de papel.
Abertura — a dobra segurou o instante.

O membro que você chama de feio, rijo, quente, entre suas coxas despidas?
Duas mãos fortes que agarram sua cintura, seguras?
Uma boca que morde sua orelha, arrepia seu corpo e castiga sua alma?
Uma boca que te chama de vil, que liberta o lado sacana do seu corpo?
Alguém que te come, te morde, te molha, te deixa suada?

À margem

a pergunta chegou antes da resposta.

Sinto seu brinquedinho ficando molhado nesse exato momento. Se colocar um dedo, deslizará. Posso esfregar isso nas suas coxas e sentir você tremer. Todo seu corpo converge: Me coma.

Mas não. Não te comerei. Há prazer demais em vê-la inocente e atada. Com tesão em chamas lavando a alma, seus olhos me devorando, decididos a se arremessar, amarrar-me e estuprar ali mesmo. Chupar da base à ponta só pela vontade de sentir meu gosto.

À margem

o tempo ficou suspenso.

Mas fica lá, estática. Inexperiente, com vontade de explodir. Não explodirá. Está acanhada, não sabe o que fazer. Há uma malícia soberba em torturá-la, pobre menina. Tão doce!

Coloco novamente o dedo. Ainda mais molhado. Esfrego as coxas e ela treme. Viro-a de costas. Minha mão acaricia lenta suas costas, amarra o cabelo e puxa.

Olho um bumbum empinado. Quase me convida à festa.
Será?

Sinta-se pelada. Despida.
Olhe no espelho e veja-me nu, atrás de você, querida.
Erótico, não?
Pornográfico?
Não há mulher que sobreviva a tal pornografia.
Somos tão jovens, tão belos! - Há melhor coisa a viver que sexo? - Digo eu. - Não há! - Você me olha com cara de puta, olhinhos brilhantes, pedintes, morde os lábios...

À margem

o texto olhou para si.

E suas coxas escorrem.

Um pente de madeira se transforma numa placa de gesso com cavidades no lugar dos dentes; um quadrado laranja marca a madeira.
Fecho — a forma guardou seu avesso.