
Em qualquer coisa
Como um bote
Em águas dóceis
Navega perdido
Um marujo noviço
Que dos céus
Da noite não tirou
Razão
Entre nuvens entre ventos
Não percebia direção
Com o Cruzeiro tapado
Andrômeda escurecida
Nem lua cheia via
O coitado, coitado
Sentado bebendo lembrava
De portos garotas
Mulheres mulher
Que esteve certa vez com ela
Foi em Cape Town?
Uma garota de cabelos pretos
Olhos pintados profundos
Sorriso gostoso e mãos
Que lhe afagavam o pescoço
Era qual era mesmo
O nome dela?
Nem Helena nem Vera
Qualquer coisa como um
Pássaro tinha o som de pássaro
E quase caiu pra trás
Quando um grande pássaro preto
Enorme
Pousou nas velas do seu barquinho
E piou estridente
Abriu as asas
Com toda envergadura
Uma águia
Sim, uma águia
E numa lufada mais forte de vento,
As nuvens do céu se mexeram
E no leste pôde
O perdido jovem
Atônito marujo observar
A constelação de Áquila
Cortada nos céus
Dourada
E soube então o caminho
De casa
O nome da garota
E com um pássaro
Daquele tamanho no barco
Alguém em qualquer canto gritou
Terra à vista

