O fole de uma sanfona se alarga e se transforma no calçamento de uma avenida vazia; um botão na caixa esquerda é laranja.
Abertura — o ritmo ganhou a rua.

Solíssimo
quente de derreter
minha testa.
Lunático
extravasando
um tesão de noite
Martírio
Tu que és bravo
e forte aguenta.
Jupiteriano
desvirgina essas
garotas sãs peças.
Plutoniano
e já vai
longe de mim.

À margem

a noite mudou de órbita.

Na ordem
dos cosmos
Girando
com a vida louca
rouca, torta.
de comer e
de entortar.
Torta. de
comer e de
meter.

À margem

a avenida saiu do eixo.

Bebe dos meus
fluidos do
meu álcool
se embebeda
na minha fonte
e jorra na tua
garganta e
se embebeda
em mim.
seu cacho
cachorra
chora.

E marcha
o carna
valíssimo
carnaval dos
tolos dos putos
rolos dos
meus consolos
de enfiar
no cu
de alguém que
pula e dança
e se diverte com
músicas iguais
repetidas
iguais repetidas
iguais
e repetidas
e se diverte
no ópio e
depois ri do meu
ópio e depois
diz do meu
ópio.

À margem

o refrão pediu outra volta.

Uma faixa se desprende da superfície de um disco de vinil e faz duas curvas no ar; a ponta virada é laranja.
Fecho — o refrão saiu do disco.