Uma grande esfera lunar atravessa a abertura de um violão deitado de lado; o botão na lateral do instrumento é laranja.
Abertura — a lua pediu passagem.

Me falta um copo com gelo
de água gelada
uma praia quente
de água salgada
um país tropical
de mulher bronzeada

Me falta uma lua
grande e dourada
me falta um luau
violão e garotada
me falta uma fogueira
marshmallow e carne assada

À margem

o inventário já tinha céu.

Me falta um castelo branco
com guarda ensaiada
uma espada forte
de empunhadura ensebada
e uma princesa doce
na minha cama esparramada

Me falta morar num país
com gente engajada
ler duzentos livros
e ainda não saber nada
dar uma olhada no mundo
e só ver gargalhada

À margem

a estante entrou na bagagem.

Mas já tenho uma mente
uma força, um corpo
já existe muita gente
que sabe ser feliz um pouco
e não custa nunca ajudar
cada um a achar seu lugar
Nesse mundo de sonhos e mar
e castelos e água gelada.

À margem

o plural mudou a conta.

Faixas de madeira saem do tampo de um banquinho de três pernas e se alargam em dois novos assentos, a alturas diferentes; um remendo na borda do assento inferior é laranja.
Fecho — o lugar se repartiu.