Dois envelopes lacrados ocupam bandejas separadas; um se abre e um mecanismo sob uma placa transparente liga sua bandeja à outra, com um pivô laranja.
Abertura — outro envelope trouxe conselho pelo mesmo mecanismo.

Ela que sorri como a flor do campo
segura de si
como mulher madura por dentro
e obra de arte por fora
única e impossivelmente real
perdeu-se nas garras do lobo e do príncipe
que eram a mesma pessoa
e já não tão segura de si
perdeu seu juízo e correu
fugiu do insano que a corroeu
pedindo ajuda e conselhos
a um lobo e a um príncipe
que eram outra pessoa
e disse-lhe
o lobo e o príncipe
que o feitiço que lhe lançaram era forte
mas o segredo para os que escutam
era ser mais forte que o dito
e assim ela foi, pobre menina
lutou contra as luas e os cosmos de insanidade
que ameaçavam dominar-lhe a alma e comer o corpo
pois só os mais sábios dos homens
e também cruéis
que escavaram as profundezas da alma das flores
sabem-lhes envenenar
sendo ao mesmo tempo
perigosos
e cavalheiros
e entre dois desses ela ficou
fugindo de um
aconselhada por outro
e onde haverá de haver essa história?
viverá feliz para sempre?
quem sabe?
tudo depende e sempre dependerá
do que chamas tu,
meu amor
de feliz para sempre.

À margem

real demais para caber na margem.

À margem

o conto correu antes de escolher sapatos.

À margem

segunda opinião: mesma oficina.

À margem

força medida em unidades de feitiço.

À margem

os sábios chegaram com luvas.

À margem

a balança esqueceu o prato neutro.

À margem

a pergunta encontrou outra pergunta.

À margem

final provisório. favor não acordar a rosa.

Dédié à une Rose.

Num palco vazio, um cartão sem inscrição é puxado por duas cordas vindas de lados opostos; ambas descem e terminam no mesmo nó, com uma volta laranja.
Fecho — duas cordas disputaram o final e trouxeram o mesmo nó.