Por Antonio Henrique
As escolas particulares de hoje têm um sério problema. Esse problema consiste na falta de liberdade que os professores têm.
Essa falta vem de um problema simples. Nas escolas públicas, você possui apenas um "chefe", que é o governo. Mobilizar-se contra esse governo é simples, e, por ser uma empresa pública, eles, como funcionários públicos, têm uma série de direitos à parte, que lhes garante imunidade à demissão.
Por uma questão de interesses capitalistas, e exploração, os professores de escolas particulares não gozam dessa vantagem.
Eles são, digamos, dominados pelo medo. Qualquer insinuação de greve resulta em demissões sumárias, e as escolas não se importam com a situação deles, querem apenas produtividade ao extremo, tornando a vida dos professores de colégios particulares, um inferno.
Isso cria uma situação desconfortável na carreira de professores no país. Ser professor de escola pública é inviável pelos salários baixos, e ser professor numa escola particular é insuportável devido às constantes ameaças de demissão.
Com isso, cria-se um processo simples de diminuição de pessoas capacitadas na área de educação. Professores piores, que não sabem dar aula, são chatos, cansativos, metódicos e enfadonhos, geram alunos bagunceiros, desinteressados e irritadiços. Isso eleva o número de punições aos alunos, já que aulas chatas tendem a resultar em mais alunos expulsos de sala, ou suspensos, do que aulas interessantes. Ninguém faz guerra de bolinhas em aulas divertidas e dinâmicas. Fato.
É preciso incentivar a demanda por professores. Ter mais pessoas se formando em ensino, gente querendo aprender a ensinar, esse é um dos principais fatores, para que, mesmo nossas escolas particulares brasileiras, estarem muito abaixo da média mundial de ensino.
Mas, por que os professores não se juntam todos de uma vez? Bom, com as constantes demissões, a "indústria" de escolas particulares criou uma competitividade entre os ensinadores, fazendo com que seja mais vantajoso para eles, ficarem calados e dedurarem colegas, para subir na carreira, que lutar por seus direitos e pararem no olho da rua. Ou seja, quando alguém se levanta pra protestar, é demitido, isso gera medo nos outros, e faz com que eles continuem estagnados, e o problema persiste.
A nível governamental, o que deveria ser feito, é a criação de leis que proíbam a demissão de professores, em casos de greve. Por que isso não é feito? Não é novidade para ninguém que nossos governantes governam em função dos ricos, e não do povo. Logo, não sendo do interesse dos donos das escolas que os professores possam fazer greves, o governo não faz absolutamente nada.
Ok, os professores estão fudidos, é por isso que o país não vai pra frente. Vamos cruzar os braços agora correto? Errado.
A maior atitude, na minha concepção, que pode ser feita contra isso, é dos próprios alunos.
Começando pelos grêmios das escolas particulares, os alunos deveriam começar a questionar a sua diretoria, escrever cartas aos diretores. Mesmo que as questões legais por fora, governamentais, não mudem, a escola em si pode muito bem mudar seu critério com relação aos professores.
É importante combater o medo com o medo. Os professores são vítimas dos seus chefes, por terem medo de ser demitidos. Mas os chefes deles, trabalham em prol dos alunos, logo, existe uma força por trás dos alunos de uma escola. Se o colégio demitir todos os seus professores, ele pode contratar uma mesma legião na semana seguinte, com a mesma qualidade. MAS, se o colégio tentar lutar contra seus alunos, num regime particular, ele está brigando com suas próprias fontes de renda.
Sem alunos, Sem escola.
O importante é cobrar dos diretores, supervisores, e qualquer entidade de poder dentro da escola, que, caso eles demitam algum professor por motivos errados, os alunos vão fazer alguma coisa a respeito.
Fazer o quê?
Grêmios devem pressionar a diretoria da escola, escrever cartas e mais cartas aos diretores, mostrando, por que é mais vantajoso para eles terem professores livres de opressão. Assim, caso você já mude a mentalidade do diretor ou de um dos donos da escola, você evita todo um processo de lutas estudantis.
Caso, mesmo com uma greve ou revolta, um professor seja demitido, Abaixo-assinados são imprescindíveis. Além de mostrar que uma GRANDE quantidade de alunos está infeliz com aquilo, é um bom método de pressão, para que as escolas reabilitem os professores, mesmo depois de demiti-los.
Caso não se considerem as questões radicais boas, uma boa ideia é fazer ativismo criativo. Flash Mobs, faixas em lugares inusitados, atitudes loucas por parte dos alunos, que mostrem a insatisfação para com o problema, são uma boa solução.
O importante, é criar para os professores uma liberdade de manifestação, para que, sempre que eles tenham um problema, eles possam ir até a diretoria, e apresentá-lo, sem medo de serem mandados embora no outro dia, por insubordinação.
Não se esqueçam, professores felizes, dão aulas melhores, mais dinâmicas, ensinam melhor. Criando alunos que gostam de estudar, que curtem as aulas, produzem, e aprendem. Para a instituição escolar, isso significa ter mais alunos em faculdades de renome nacional, com muito menos esforço em cobrar dos professores, e punir os alunos. Uma escola mais saudável, com pessoas interessadas e comprometidas.
Por que os grêmios não fazem isso? Bom, 10, 20 anos atrás, os grêmios escolares tinham uma força absurda. Eles lutavam ativamente em prol dos alunos, dos professores, e de todo o ensino em geral. Como pessoas lutando por causas não é um interesse capitalista, as escolas começaram a incentivar os grêmios, a promoverem festinhas, campeonatos de futebol, e coisas pequenas, assim eles saem das questões importantes, que possam realmente mudar o parâmetro escolar.
Como os grêmios são votados, e está trabalhando com um grupo de pessoas mais jovem, é mais fácil ganhar votos prometendo festas que revoluções, logo, os grêmios passam a atuar passivamente, ao invés de realmente produzir mudanças significativas.
É importante frisar que não se deve proteger apenas os "professores legais". Isso vai acabar apenas mudando o parâmetro das coisas, ao invés dos professores sofrerem pressão dos seus superiores, eles vão ser obrigados a ser "o mais legais possível", além dos limites da coisa. Isso vai resultar em caos nas aulas, e produtividade mínima.
Devem-se proteger todos os professores, como um todo, mesmo aqueles mais "chatos", é preciso ver as vezes que, não é culpa do professor se, para você, a matéria é chata, a intenção dele ali, é exatamente te ajudar a aprender, mesmo que às vezes ele tenha que tomar atitudes desagradáveis.
Bom, esperemos que alguém faça uma mudança em relação a isso (Ouviram "Meu Chapa?")
Até lá, os professores vão sendo demitidos, os alunos vão se afogando em pressão escolar, para "serem perfeitos", e a produtividade continua caindo.
Quem pode fazer alguma coisa?
Você.
Como? Mostre esse texto aos integrantes do grêmio da sua escola, cobre deles atitudes em relação à escola. Caso eles não te escutem, junte 5 ou 6 alunos, e formem um "Grêmio clandestino", de pessoas que querem ativamente mudar a escola. Divulgue o texto, para que todos os alunos possam tomar conhecimento do problema. Não se esqueçam que, caso os alunos comecem a obter resultados, os professores, aos poucos, vão integrar essa revolução, em prol de uma escola melhor, um ensino melhor, um país melhor.
Não se esqueça também, que não são só os integrantes do grêmio que devem lutar. Todo aluno tem um "Q" de responsabilidade pelo que seus professores sofrem. Atitudes pessoais de cada um, podem mudar muita coisa.
Estamos todos contando com o senhor.
