As dobras de uma roseta de papel se tornam dentes de uma engrenagem de ferro; um disco laranja marca o centro.
Abertura — o prêmio entrou na engrenagem.

Japonês que não se mata é poser.
Político que não rouba é trouxa.
Jogador de bola tem canela roxa.
Quem se importa com o placar,
Pelo placar é enganado.

À margem

o resultado não encerrou a conta.

É enganado quem lê Veja.
Que carne come, e que carne,
pensa que a carne não sofre,
ao virar carne. É enganado.

Mentiram.
Quando te contaram do felizes pra sempre,
Que no céu ainda ia ser gente, depois de gente,
Que a propaganda não mente,
Tudo isso é ruim, mas não é pouco.

À margem

o anúncio prometeu vida eterna.

Muito é o pior de todos.
O mais cruel dos enganos.
Que enganado você foi.
Dizerem-te que tens liberdade.
Liberdade para "Escolher."
Liberdade para "Ir"
Liberdade pra "Falar" e "Ser".

Que pena. Foi enganado.

À margem

as aspas cercaram a saída.

Uma flâmula de tecido engrossa até formar um elo de ferro fechado; uma pequena costura laranja marca a ponta livre.
Fecho — a liberdade ganhou peso.