Por Antonio Fernandes
A coronha do revólver acertou mais uma vez em cheio o rosto da garota. Os olhos dela estavam inchados, e pingavam sangue que escorria das sobrancelhas. Hematomas roxos se espalhavam por todo o seu rosto. Ela chorava.
O homem que a espancava deu um sorriso sarcástico, e com palavras cruéis, falou para ela que, enquanto ela não começasse a se comportar, e aceitasse a vida que ela iria ter dali em diante, ela seria tratada apenas como a cadela que era.
Dito isso, o homem saiu do quarto, dizendo aos seus agentes para "cuidarem" dela.
O quarto tinha oito camas, uma ao lado da outra. Em cada cama, havia uma mulher algemada, com uma agulha espetada no braço. Elas estavam recebendo sua dose de heroína diária, para que ficassem escravas da droga, e consequentemente, escravas de seu patrão.
As lágrimas misturadas a sangue escorriam pelos loiros cabelos da garota e por sua face, outrora tão bela, agora toda desfigurada.
Por fim, a menina desistiu, e deixou que aquele monstro a depredasse. Não havia amor naquilo, não havia bondade, era um ato sujo e medonho. Ela não acreditava que estava passando por aquilo. Não podia ser verdade.
Então, acabou, os homens a acorrentaram do modo certo, colocaram a droga na veia dela, e saíram do quarto dando sorrisos sarcásticos.
Por fim, ouviu-se a fechadura estalar, fechando-se.
As outras garotas no quarto olhavam para a menina num silêncio de compreensão e triste. Ela chorou, chorou e chorou. Chorou por seus pais, que deviam estar desesperados, sem saber onde sua filha estava. Chorou por seu namorado, que tanto amava, e que nunca mais iria ver. Chorou por pena de si mesma. Simplesmente chorou.
Hoje, essa garota pode ser vista em alguma avenida de sua cidade, vendendo seu desvalorizado corpo para quem pagar melhor.
Isso realmente acontece.
