A base de um carimbo se alarga numa plataforma circular de madeira, com uma pequena faixa laranja na borda.
Abertura — o carimbo virou picadeiro.

O rabo dela é arte. Faz arte. É artista.
Os seios dela saltam. Um saltar de trapezista.
O suor dela cheira como cheira um mar de rosas.

À margem

o verso entrou no picadeiro.

Meu pau está amando como amamos Julieta,
Minhas mãos se descontrolam a avançar em tal ninfeta.
Mas o rosto de inocência me perfaz de mãos atadas.

Queira Deus tão poderoso, por ela ser louvado,
Por dar-nos tal ninfeta, de perfil tão arrojado.
Rezo a Deus por outras destas, soltas num mundo deste.

À margem

a oração perdeu a postura.

Soltíssimas, solistas, livres, serelepes.
A agarrar e chupar e torcer nossas estepes.
Que rijas nossas picas venham sujar suas faces.

Oh-lá-lá! Que amor de trepa meu poético coração perfaz!

À margem

a linguagem saiu girando.

Delícia!

Uma fita preta sai do carretel, engrossa e se transforma num arco de cerâmica clara; um ponto laranja marca a bobina.
Fecho — a fita inventou passagem.