Num guarda-volumes antigo, quatro cabides em forma de pistão sustentam um chapéu verde, um chapéu-coco, um quepe sem insígnia e um boné sem texto; uma biela laranja liga os ganchos.
Abertura — antes dos passageiros, os cabides receberam movimento.

Apito assoviado
De fumaça branca
Máquina de ferro
Pistões marrons
Cheiro de carvão
Queimado
Vagões castanhos
Verdes e dourados
Apita alto a partida
Arranca energia do chão
Mete movimento
Em tanta coisa que
Passa
Passa mulher de chapéu verde
Homem do bigode pontudo
Nas janelas tem soldados
Tem carteiros tem banqueiros
Todos acenam
Lenços brancos
Aos que ficam dão adeus
O trem parte cheio
De lágrimas dos
Que ficam na plataforma
E corre forte
Com toda energia
No rumo desconhecido
Da minha janela
Que parte
Olho seus olhos
Que ficam
E o sorriso e os olhos
Molhados que sejam
Prometem a ti

À margem

o combustível entrou primeiro pelo cheiro.

À margem

o verso começou a passar antes da paisagem.

À margem

o adeus encontrou um tecido para aparecer.

À margem
Um bilhete sem letras tem um recorte em forma de olho; uma pequena peça laranja em forma de gota pende da borda inferior.

Que vou voltar

À margem

o futuro coube num verbo de volta.

Uma janela permanece instalada na parede esquerda; outra, idêntica, está sobre pequenas rodas diante de um vão vazio na parede direita. Uma linha laranja liga os vidros das duas janelas.
Fecho — a janela partiu; o olhar ficou esticado.