Um corredor termina numa porta translúcida sem maçaneta; uma forma inflada pressiona o outro lado do painel junto a um pequeno pino laranja.
Abertura — o segredo tomou forma atrás de uma porta sem maçaneta.

Vou virar coisa
não quero!
quero...
já virei coisa...
não te acho coisa
mas sinto que nem para coisas,
há importância...

À margem

o verbo virou objeto antes que a voz decidisse se queria.

Será que perdeu?
acho que sim...
pra mim perdeu,
A visão da visão que
tinha
de admirar, respeitar
Interesses nítidos de candura
acho que acabou...
Surgem nós na cabeça,
tão ???tados que me causam
Angústia

À margem

a visão da visão: o espelho ganhou outro espelho.

À margem

a palavra chega avariada; o nó permanece inteiro.

De saber que perdeu,
não volta,
Parece um interesse guardado, tabu,

Senti que aconteceu
Aconteceu... aconteceu...
era pior a prever
Talvez a verdade doa
duas vezes!

À margem

duas vezes: primeiro prever, depois descobrir.

Descobri o encoberto, e não ser mais
aquela que seria a primeira pessoa a recorrer

Descobri que só vai evoluir
não tem volta, só toma forma
Inenarrável, setaxastarma(???)
sem lados contáveis
que não dá para ver

Corro sem queda d'água
que sou de mim,
fizesse o meu coração
murchar feito um balão
perfurado, sem expectativas
Não faz sentido montar quebra-cabeça mais.

À margem
Um balão meio murcho tem uma agulha no furo; duas linhas de ar escapam, enquanto um remendo laranja repousa ao lado.
À margem

o quebra-cabeça encerra a própria montagem.

Peças de quebra-cabeça quase formam duas faces afastadas e uma maçaneta; a peça final fica suspensa por um fio laranja sobre um encaixe incompatível.
Fecho — a última peça encontrou um desenho que já tinha mudado.