Uma das abas de um laço de cetim se torna porcelana de borda quebrada; uma costura laranja marca o nó.
Abertura — o laço ganhou aresta.

A flor branca.
foi entregue
de fino modo,
do cavalheiro,
à senhorita.

A senhorita,
pegou a flor,
que era branca
e sorriu,
de modo humilde,
ao cavalheiro.

À margem

a etiqueta ainda estava inteira.

A senhorita,
jogou no chão
a flor branca,
e com seus sapatos,
de cetim, dourados,
pisou.

A flor pisada,
foi rasgada,
estraçalhada,
pelas lâminas,
da pedra cerrada ao chão.

À margem

o chão recebeu a resposta.

A senhorita,
olhou o cavalheiro,
de tal fino modo,
e sorriu,
de jeito e ternura.

O cavalheiro,
entendeu fino gesto,
e fizeram amor,
até a exaustão,
Do raiar do dia,
ao fim do Verão.

À margem

o gesto durou uma estação.

Feminista!

Dedicada a Catarina Lincio,
sempre imprevisível, aquela maldita Alice italiana!

Uma pedra de calçamento se afina e abre em pregas de seda, como um leque; uma costura laranja marca a borda.
Fecho — o chão abriu pregas.