Sobre um banco de escultor, um busto de gesso dividido em três faixas giratórias aponta em direções diferentes; um pequeno pino laranja está solto ao lado.
Abertura — as partes não combinaram a direção do rosto.

Dominado por partes
de um eu vil e traste
que se rebela contra a razão
em alucinação
e me arrasta de traste
que me quebra e maltrata
desfragmentando os pedaços
cada um desses cacos
Malditos maus-tratos
que aferroam minha carne
partidos do cerne
do meu coração duro
e sou eu maduro?
Se sou eu, sou seguro?
e me perco e me jogo
e só dou mais um trago
no maldito cigarro
que me arrasta ao tédio
e só sofro o assédio
de ser boa pessoa
e se alguém se afeiçoa
se enjoa e machuca
na minha maldade caduca
alma,

À margem

cada caco trouxe uma voz.

À margem

a pergunta não assinou a resposta.

À margem

o retrato continua pelo avesso.

Da que não sabe ser.
Quem sou eu?

Um paletó pelo avesso deixa sair moldes de papel que se dobram de volta para um bolso; um fio de alinhavo laranja termina sem nó.
Fecho — o molde voltou para dentro antes de vestir alguém.