Uma plataforma de evento se curva como uma membrana e mantém três pares de sapatos, óculos e uma pulseira suspensos sobre uma linha laranja ondulada.
Abertura — a pista respirou antes da multidão entrar.

Veja luzes brilhantes
Refletidas
Sob o mar
De seres de todas as cores
Que flutuam
Veja a grande bola de fogo
Surgir
Do topo do mundo
E nos clarear a todos
O rufar vibra-me o peito
Ratos gigantes me encaram
(Ou seriam gatos?)
Do pódio mais alto estou
Olhos fechados
Mandíbula cravada
E sorriso esgotado em sorrisos
Tenho memórias vagas
De felicidade sem fim
De estar ao lado
De alguém que me quer bem
E imaginemos dessas luzes
Dragões serpentes e grifos
Demônios azuis do mar
Que sobrevoam tantas almas
Dominadas
Que se chacoalham se chacoalham
Veja o sol brilhar
Por detrás de óculos perfis rosa
Queimar seu rosto e lhe dar
Bom dia
O rufar
Dessa track
Boa
Nos arrepia
Cada pedaço de ser
Vamos viver
Esse segundo majestoso
Fazer amigos que nunca mais veremos
Viver o incrível
Ao lado do incrível
Cada gota de suor
Uma gota de prazer

À margem

antes da pista aparecer, o mar já recebeu as luzes.

À margem

o parêntese troca ratos por gatos sem perder o compasso.

À margem

a repetição também se chacoalha.

À margem

o amanhecer chega como cumprimento, não como saída.

À margem
Uma pulseira de evento sem escrita forma uma fita de Möbius e tem um pequeno lacre laranja.
À margem

a última gota encerra a faixa no corpo.

Um círculo de pernas e sapatos ocupa o mostrador de um enorme cronômetro aberto; um único ponteiro laranja aparece sobre as engrenagens expostas.
Fecho — todos couberam no mesmo segundo.